quinta-feira, 4 de julho de 2013

FLORES

A Leopoldina e Rosa Monteiro



Quando começa a raiar 
O dia cheio de amor, 
Eu gosto de contemplar 
O coração de uma flor,

Desmaiada e tremulante, 
Pendendo triste no galho, 
Tendo o pistilo brilhante 
Embalsamado de orvalho:

A rosa só me parece, 
Assim tão casta e sem véu, 
Um anjo rezando a prece 
Um’alma voando ao Céu.
Do jasmim puro e mimoso, 
A corola embranquecida, 
É como um seio formoso 
De criança adormecida.

Esqueço-me, então, das horas 
A contemplar estas flores, 
As violetas, auroras, 
Saudades, lindos amores.

1894

Auta de Souza



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