domingo, 5 de junho de 2011

tertúlia.

O BEIJA-FLOR
 
Acostumei-me a vê-lo todo o dia
De manhãzinha, alegre e prazenteiro,
Beijando as brancas flores de um canteiro
No meu jardim - a pátria da ambrosia.
 
Pequeno e lindo, só me parecia
Que era da noite o sonho derradeiro...
Vinha trazer às rosas o primeiro
Beijo do Sol, n’essa manhã tão fria!
 
Um dia, foi-se e não voltou... Mas, quando
A suspirar, me ponho contemplando,
Sombria e triste, o meu jardim risonho...
 
Digo, a pensar no tempo já passado;
Talvez, ó coração amargurado,
Aquele beija-flor fosse o teu sonho!

Auta de Souza
O Rio
                                           à Mauro Mota
                  
 
Um rio há  adormecido em cada infância,
rio seco ou de enchente, intempestivo
rio que não cresceu - riacho riba.
Mas o que conta em nós é mesmo o rio
correndo na memória com seu jeito
de rio, sua boca chã de rio,

a força de ser rio e ser caminho
de rio, noite assombração de rio,
chamado ser em oculto chão de rio,

ter os remorsos fluviais de rio
que afogou nas areias dois meninos
e de seu pranto fez nascer cacimbas.
 
                                                                                                 Zila Mamede

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