Acostumei-me a vê-lo todo o dia
De manhãzinha, alegre e prazenteiro,
Beijando as brancas flores de um canteiro
No meu jardim - a pátria da ambrosia.
Pequeno e lindo, só me parecia
Que era da noite o sonho derradeiro...
Vinha trazer às rosas o primeiro
Beijo do Sol, n’essa manhã tão fria!
Um dia, foi-se e não voltou... Mas, quando
A suspirar, me ponho contemplando,
Sombria e triste, o meu jardim risonho...
Digo, a pensar no tempo já passado;
Talvez, ó coração amargurado,
Aquele beija-flor fosse o teu sonho!
Auta de Souza
| Um rio há adormecido em cada infância, rio seco ou de enchente, intempestivo rio que não cresceu - riacho riba. Mas o que conta em nós é mesmo o rio correndo na memória com seu jeito de rio, sua boca chã de rio, a força de ser rio e ser caminho de rio, noite assombração de rio, chamado ser em oculto chão de rio, ter os remorsos fluviais de rio que afogou nas areias dois meninos e de seu pranto fez nascer cacimbas. |
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