terça-feira, 21 de junho de 2011

Poemas para Tertúlia (turma de mecânica)

A PONTE

Salto esculpido
sobre o vão
do espaço
de pedra e de aço
onde não
permaneço
- p     a     s    s     o
                                                Zila Mamede
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PARA MANUEL BANDEIRA
Penso-te
como quem sonha uma estrela
que inventou na madrugada
e no desejo de guardá-la
viva.

Penso-te
como o claro silêncio permanente
da neve,
como a branca surpresa
de uma flor nascente.

Meu pensamento ama-te.

       Zila Mamede

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SONETO TRISTE PARA MINHA INFÂNCIA
De silêncios me fiz, e de agonia
vi, crescente, meu rosto saturado.
Tudo de mágoa e dor, tudo jazia
nos meus braços de infante degredado.


Culpa não tinha a voz que em mim nascia
pedindo esses desejos - sonho ousado
por onde o meu olhar navegaria
de cores e de anseios penetrado.


Buscava uma beleza antecipada
- a condição mais pura de harmonia
nessa infância de medos tatuada,


querendo-me em beber de inacabada
procura que, em meu ser, superaria
a minha triste infância renegada.



   Zila Mamede

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